Viajar está mudando, mesmo que ninguém tenha anunciado isso oficialmente. Ainda vemos roteiros lotados e fins de semana “faça tudo”, mas cada vez mais pessoas estão escolhendo algo mais calmo em silêncio. Menos planos. Um único lugar. Nenhuma pressão para “render”. Esse estilo de viagem costuma ser chamado de me-mooning.
O nome vem de “honeymoon” (lua de mel), mas não há romance envolvido. Um me-moon é uma viagem em que você é a prioridade. Você viaja sozinho, desacelera e planeja seus dias de acordo com o que realmente sente, não com uma lista de tarefas. O objetivo não é ver tudo. É se sentir bem enquanto está lá.
Por que agora? O esgotamento tem seu papel. O mesmo vale para o trabalho remoto, horários flexíveis e o fato de que muitos viajantes estão cansados de voltar das férias ainda mais cansados. O me-mooning combina com um momento em que o descanso deixou de ser visto como preguiça e passou a ser uma escolha inteligente.
É por isso também que a hospedagem importa mais do que nunca. Quando você fica mais tempo em um só lugar e passa mais horas no quarto ou no bairro, conforto, silêncio e localização começam a valer mais do que “marcar pontos turísticos”. Plataformas como a O Hotel fazem sentido para esse tipo de viagem, pois focam em acomodações adequadas para estadias mais longas e tranquilas, e não apenas em paradas de uma noite.
Então não, o me-mooning não é sobre desistir de viajar. É sobre mudar o que você espera da viagem. Em vez de perguntar “quanto eu consigo fazer?”, você começa a perguntar “como eu quero que essa viagem me faça sentir?”.
Como é, de fato, viajar no estilo Me-Mooning
Não existem regras rígidas, mas a mentalidade é bem clara.
A maioria dos me-mooners escolhe uma única base em vez de ficar pulando de cidade em cidade. Você desfaz a mala uma vez. Aprende as ruas. Para de checar mapas a cada cinco minutos. Os dias permanecem flexíveis. Você pode planejar uma coisa principal — ou nada.
A hospedagem vira parte da experiência, e não apenas um lugar para dormir. Em vez de escolher um hotel só porque fica perto das “principais atrações”, você começa a se importar com luz natural, ruído, facilidade para caminhar e como é simplesmente existir ali sem esforço.
As noites também contam. Ficar no hotel não é fracasso. Comer perto da hospedagem não é “perder algo”. Se o seu dia termina com um banho, um livro ou um jantar tranquilo, isso ainda conta como um ótimo dia de viagem.
É aqui que o me-mooning se diferencia da viagem solo tradicional. Você não está ali para se reinventar. Não precisa conhecer pessoas. Não precisa viver uma jornada pessoal dramática. O me-mooning é sobre manutenção, não transformação. É uma viagem que protege sua energia em vez de drená-la.
Soa atraente? Então a escolha do destino importa mais do que você imagina.
Para onde ir fazer Me-Mooning: cidades que recompensam a calma
Nem todo lugar funciona para esse estilo de viagem. Cidades centradas em vida noturna intensa, multidões constantes ou listas intermináveis de atrações podem cansar rapidamente. Bons destinos para me-mooning geralmente têm algumas coisas em comum:
- Fáceis de explorar a pé
- Interessantes sem serem intensas
- Boa comida e cafés onde dá para ficar sem pressa
- O suficiente para fazer, mas não demais
Aqui estão alguns lugares que encontram esse equilíbrio.

Trieste, Itália
Orçamento: $$
Trieste fica no nordeste da Itália, perto da Eslovênia, e é diferente da maioria das cidades italianas. Mistura influências italianas, centro-europeias e balcânicas, graças ao seu passado como principal porto do Império Austro-Húngaro. O ritmo é calmo, e a cidade convida mais à observação do que à pressa.
James Joyce viveu aqui por anos e escreveu partes de Ulisses em Trieste. Esse clima literário e silencioso ainda está presente nos cafés.
O que fazer:
- Caminhar pela Piazza Unità d’Italia, uma das maiores praças à beira-mar da Europa
- Passear pela orla em direção a Barcola, favorita dos locais para tardes tranquilas
- Visitar o Castelo de Miramare, acima do Adriático, com jardins feitos para caminhar sem rumo
- Comer no Buffet da Pepi para pratos locais de carne ou no Al Bagatto para frutos do mar do Adriático
Trieste é ideal se você gosta de história, ar marítimo e cidades que não exigem atenção constante.

Bath, Inglaterra
Orçamento: $$$
Bath é compacta, elegante e construída em torno da ideia de lazer. Os romanos vinham aqui para relaxar e, séculos depois, pouco mudou. A arquitetura georgiana cria uma sensação de ordem que acalma em vez de oprimir.
É possível ver quase tudo a pé, sem nunca se sentir apressado.
O que fazer:
- Relaxar no Thermae Bath Spa, incluindo a piscina no terraço com vista para a cidade
- Caminhar pelo Royal Crescent, The Circus e Royal Victoria Park
- Visitar os Banhos Romanos para entender por que a cidade existe
- Comer no The Scallop Shell para frutos do mar ou no Sally Lunn’s para refeições mais leves
Bath funciona bem se você quer estrutura sem estresse e história sem excesso.

Évora, Portugal
Orçamento: $$
Évora é pequena, histórica e quente — o que naturalmente desacelera tudo. Localizada no Alentejo, é cercada por planícies abertas e conhecida por almoços longos e tardes tranquilas. O centro histórico é compacto e fácil de explorar sem muito planejamento.
O que fazer:
- Visitar o Templo Romano de Évora e caminhar pelas muralhas medievais
- Subir na Catedral de Évora para vistas amplas da região
- Conhecer a Capela dos Ossos, perturbadora, mas culturalmente importante
- Comer no Fialho ou na Taberna Típica Quarta-Feira para pratos clássicos do Alentejo
Se você gosta de história, comida regional e dias que se estendem suavemente, Évora é uma ótima escolha.

Gdańsk, Polônia
Orçamento: $–$$
Gdańsk é colorida, histórica e surpreendentemente tranquila para uma grande cidade portuária. Teve papel fundamental na história moderna da Europa, mas permanece menos lotada e mais acessível do que muitas cidades da Europa Ocidental.
É fácil se estabelecer aqui sem se sentir sobrecarregado.
O que fazer:
- Caminhar pela Długi Targ e ao longo do rio Motława
- Visitar o Centro Europeu de Solidariedade para entender a história recente da Polônia
- Fazer um curto passeio de trem até Sopot e caminhar por seu longo píer de madeira
- Comer no Pierogarnia Mandu para pierogis ou no Goldwasser Restaurant para sabores locais
Gdańsk funciona muito bem para estadias mais longas, especialmente se você quer cultura sem multidões constantes.

St Andrews, Escócia
Orçamento: $$–$$$
St Andrews é conhecida pelo golfe e por sua universidade antiga, mas sua maior qualidade é a escala. A cidade é pequena, costeira e fácil de percorrer, especialmente fora da alta temporada. Natureza e história convivem lado a lado, sem pressão para fazer muito.
O que fazer:
- Caminhar pela West Sands Beach, com vistas amplas e céu aberto
- Explorar as ruínas da Catedral e do Castelo de St Andrews
- Percorrer um trecho do Fife Coastal Path para vistas sobre as falésias
- Comer no The Seafood Ristorante ou no Forgan’s para comida escocesa moderna
É uma excelente escolha se você busca ar fresco, ruas tranquilas e espaço para pensar.
Para quem o Me-Mooning é — e por que ele veio para ficar
O me-mooning funciona melhor se você está cansado de viagens intensas e pronto para algo mais equilibrado. Ele combina com quem valoriza independência, não gosta de agendas rígidas ou simplesmente quer viajar sem sentir que está trabalhando.
Isso não é uma tendência de nicho. Estadias mais longas, cidades caminháveis e melhores opções de hospedagem já estão moldando a forma como as pessoas viajam. À medida que mais viajantes priorizam conforto e ritmo em vez de quantidade, o me-mooning deixa de parecer moda e passa a parecer um reajuste.
Você não precisa ver tudo para ter uma boa viagem. Não precisa voltar transformado. Às vezes, o melhor resultado é voltar descansado.
E, sinceramente? Esse é um objetivo que vale a pena viajar para alcançar.